Paulo Autuori não devia ser técnico. Por gratidão ao Botafogo, porém, aceitou ocupar a posição no clube. Hoje (20), no Nilton Santos, estará no comando frente ao Santos. É que o treinador prometeu, quando deixou o Athletico-PR em 2016, que não seria mais treinador de um time brasileiro. O objetivo era trabalhar em funções administrativas, como fez no Santos até o ano passado. Era superintendente do clube paulista quando pediu demissão. Saiu fazendo duras críticas à cúpula.

Aí, quando o Botafogo o chamou, a vaga que ele pretendia era similar. Mas a que estava aberta era de treinador. Ele aceitou, por um sentimento de gratidão ao clube pelo qual venceu o Campeonato Brasileiro de 1995. Hoje, ele ajuda o clube carioca na reestruturação necessária para a transformação em clube empresa.

O confronto de logo mais será pelo Campeonato Brasileiro. A equipe do Rio de Janeiro, embalada pela vitória sobre o Vasco na Copa do Brasil, busca o triunfo para sair da zona de rebaixamento. Já o Santos, quer os três pontos para se juntar ao pelotão da frente da tabela.

Na apresentação como novo técnico do Botafogo, Autuori já tinha deixado claro que estava mudando o rumo da carreira. Ele indicou ter dito sim para ocupar o lugar deixado por Alberto Valentim como forma de retribuição ao clube que lhe “proporcionou tudo”, segundo palavras do próprio. No ano passado, na chegada ao Santos, Autuori havia descartado a chance de voltar a ser treinador e citou o estilo de “falar o que pensa” como um dos obstáculos para isso. À época, Jorge Sampaoli era o técnico do Peixe.

“Se eu fizer algo diferente, pode me cobrar. É olhar para trás. O Sampaoli está muito feliz, com o Santos e com a cidade. Espero que possa solidificar essa felicidade, no trabalho e na vida pessoal. Saí quando o Eduardo saiu [do Athletico Paranaense]. Que ele [Sampaoli] possa passar essa cultura para toda cadeia de futebol do clube. Meu principal trabalho é extrair ao máximo, não só com resultado. A chance é zero [de ser técnico]. Eu falei para o presidente que eu tenho opiniões claras sobre o futebol brasileiro, jamais, em circunstância, local e momento, deixarei de emitir minha opinião. É muito claro para mim, não pensaria nisso em nenhum momento. Seria incoerente com a minha vida como homem”, disse, na ocasião.

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