Marcos Paquetá enfim foi apresentado no Botafogo. Prioridade da diretoria alvinegra depois da saída de Alberto Valentim e do “não” de Zé Ricardo, o técnico assinou contrato até dezembro de 2019.

Ao lado dos dirigentes Gustavo Noronha (vice de futebol), Carlos Eduardo Pereira (vice geral), Nelson Mufarrej (presidente) e Anderson Barros, o profissional de 59 anos mostrou conhecimento sobre o time que está assumindo durante a coletiva e avisou: vai dar prosseguimento ao trabalho de Alberto Valentim.

– Cada momento do treinamento temos que trazer essas informações. Logicamente é uma adaptação dos atletas comigo, e eu também tenho que preservar o que foi muito bem executado. A gente vai tentar fazer só um upgrade do trabalho do Valentim. Isso está sendo muito fácil, porque ele tem uma linha de trabalho parecida com a minha.

Marcos Paquetá foi apresentado nesta quinta-feira (Foto: Fred Gomes)Marcos Paquetá foi apresentado nesta quinta-feira (Foto: Fred Gomes)

A tradição alvinegra, principalmente em Copas do Mundo, competição que disputou na condição de treinador da Arábia Saudita, em 2006, foi exaltada no discurso de Paquetá.

– O desafio é grande. É um clube que sempre revelou grandes profissionais e que fizeram da seleção brasileira tão grande. A Seleção deve muito ao Botafogo. É muito importante voltar e vir a um clube onde tenho todo o apoio. Estou muito feliz. Podem contar com a minha disposição 24 horas para que a gente consiga resgatar o nome do Botafogo. Vamos resgatar a tradição de sempre do Botafogo. O Botafogo tem que estar um patamar acima dos grandes clubes – declarou Paquetá.

Nesta quinta, ele usou o seguinte time: Jefferson, Luís Ricardo, Carli, Rabello e Moisés; Jean, Lindoso e Valencia; Luiz Fernando, Pimpão e Kieza (Foto: Fred Gomes)Nesta quinta, ele usou o seguinte time: Jefferson, Luís Ricardo, Carli, Rabello e Moisés; Jean, Lindoso e Valencia; Luiz Fernando, Pimpão e Kieza (Foto: Fred Gomes)

Paquetá chegou na última terça-feira e já comandou dois treinos do elenco alvinegro. O treinador não trabalha no Brasil desde 2004, quando deixou o Avaí, sua segunda equipe profissional. Sua primeira experiência foi no Flamengo, em 1995.

– Quando você sai com dois Mundiais, cinco títulos e no ano seguinte é chamado para disputar Copa do Mundo, é um grande reconhecimento, coisa que não tive no Brasil. Coisa que os jovens têm aqui hoje. Estou sempre na contramão. Quando eu estava aqui, diziam que eu era muito jovem para assumir um time profissional. Agora dizem que estou um pouco velho. Sempre que estive para voltar, recebi propostas. E propostas muito boas – disse o treinador.

Marcos Paquetá já comandou dois treinos do Botafogo (Foto: Reprodução)Marcos Paquetá já comandou dois treinos do Botafogo (Foto: Reprodução)

Paquetá tem um longo e vitorioso currículo nas divisões de base. O treinador foi campeão mundial com as seleções do Brasil sub-17 e sub-20 em 2003. Além disso, teve destaque no Oriente Médio, onde comandou a Arábia Saudita na Copa de 2006, maior feito de sua carreira, em sua opinião.

– Disputar uma Copa do Mundo é o patamar maior da carreira de qualquer treinador. E você tem uma troca enriquecedora com treinadores de outros países. O futebol mudou muito. Você trabalha fora e acaba enfrentando treinadores do mundo todo. E as equipes da Arábia contratam os melhores treinadores do mundo – explicou.

Paquetá foi apresentado ao lado de Noronha, Carlos Eduardo Pereira, Mufarrej e Barros (Foto: Fred Gomes)Paquetá foi apresentado ao lado de Noronha, Carlos Eduardo Pereira, Mufarrej e Barros (Foto: Fred Gomes)

Confira outros tópicos da entrevista:

O que mudou do Paquetá de 2004 para 2018
Acho que mudei bastante, a minha forma de trabalhar passou a ser mais dinâmica. Cresci no aspecto de treinar visando o objetivo de jogo e de fortalecer a equipe. A readaptação não existe, porque sou brasileiro. Talvez se fosse para outro centro, seria diferente. Mas no futebol brasileiro não. Acho que estou vindo no momento certo.

Botafogo na hora certa
Tive que ficar no Brasil por motivos familiares e, graças a Deus, apareceu o Botafogo. O Botafogo vai muito de encontro com a minha filosofia de trabalho. Conheço bem o elenco e o futebol brasileiro.

Novidades que trouxe para o time nos primeiros treinos
Já consegui introduzir alguns momentos de situação de jogo de transições, da nossa organização ofensiva e defensiva. Isso dá tranquilidade muito grande ao atleta, facilita na leitura de cada situação de jogo.

Desejo de voltar ao país
Minha vontade sempre foi retornar ao Brasil por várias causas. São 15 anos fora. Tenho uma ferramenta que eu acompanho os dados de todos os jogadores de todo o mundo.

“Elenco tático”
O elenco do Botafogo é muito tático, disciplinado taticamente. Me chamou atenção a determinação desses atletas, eles buscam o resultado. Eles procuram se fixar aos pontos fortes deles. O time joga com time, é solidário e não se entrega nunca.

Feliz com perfil do grupo
Isso vai muito de encontro com o que eu gosto. Gosto de times dinâmicos e que não têm vaidades. O clube tem suas metas, e nós temos que traçar junto com os jogadores. E eu acho que os jogadores têm de ter suas metas individuais. E eu cobro isso deles. Roubar bolas, ter posse de bola maior, e eu acho que isso vai motivar os atletas a mais.

Desconfiança da torcida
Tenho milhares de amigos e parantes botafoguenses. Botafogo é time de tradição. Só teve fera e craque, então eles ficam mal acostumados. Ou bem acostumados (risos). O momento do Botafogo não é das glórias que tínhamos, mas temos um elenco muito competitivo.

“Pode cobrar”
Torcedor do Botafogo pode cobrar. Trabalho não vai faltar. A gente sabe que corremos riscos em todos os trabalhos. Não sou técnico de não correr riscos. Se você quer ser grande, tem que correr riscos”.

Calendário com menos jogos no exterior?
No Iraque e no Egito, se joga de três em três dias. Isso é tranquilo. Acho que a grande questão é o deslocamento. Nosso país tem deslocamento e muitas diferenças climáticas. Mas não tem como fugir disso.

Chega com mais algum profissional para a comissão?

Todo clube tem sua comissão técnica permanente. Alguns já foram meus atletas, alguns já trabalharam comigo. Outros eu convivi 20 dias direto aqui. Acho que é o suficiente para trabalhar. Estamos pensando em mais um profissional, mas tem que estar no perfil do clube. Não adianta só eu indicar.

Conteúdo de Globoesportes