A cara de garoto denunciada pelas muitas espinhas no rosto continua. Mas a fala para dentro e o futebol tímido do início de Botafogo têm dado lugar a um atacante ousado, que não teme mais microfones nem marcadores desleais. Já provocou o Flamengo ironizando o “cheirinho” em gol que tirou o rival do Carioca e no empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, na quarta-feira, dançou (veja na foto abaixo) após abrir o placar. Luiz Fernando, que faz 22 anos em 16 de outubro, está soltinho.

E a dança, que o próprio admite ter executado de maneira bem desengonçada, tinha endereço: aos primos que vieram do Tocantins para apoiá-lo no Nilton Santos.

– Meus primos vieram me visitar no Rio e chegaram com essa dança. Achei engraçado e prometi que faria se fizesse um gol. Foi para eles, que ainda cornetaram meu jeito de dançar. Nome da música é Nota 10, de um cantor de lá, Paulynho Paixão. A dança vem de um tio também do Tocantins, o Tio Raimundo. Meus primos acharam engraçado e pediram para eu fazer. Prometi que se fizesse gol, faria. Não teve jeito e tive de cumprir a promessa (risos).

Luiz Fernando comemora gol contra o Cruzeiro com dança (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)Luiz Fernando comemora gol contra o Cruzeiro com dança (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)
“Nota 10” é o nome da música que fez Luiz dançar, e a atuação do tocantinense também não passou muito longe dessa avaliação. Levou muito perigo ao gol de Fábio, mexeu-se e ajudou na recomposição. O próprio admitiu que fez seu melhor jogo como botafoguense.

O jovem introvertido, principal investimento alvinegro para a temporada 2018 (50% de seus direitos econômicos custaram R$ 2,5 milhões) preocupava a diretores e técnicos que passaram pelo clube neste ano. O próprio atleta admite a timidez.

– Foi o meu melhor jogo com o Botafogo. Estou conseguindo mostrar o futebol que fez o clube me contratar. Me cobro muito e quero continuar evoluindo – completou Luiz, com 39 jogos e quatro gols como alvinegro.

Confira outras respostas:

Dirigentes e técnicos inicialmente mostraram preocupação por seu perfil introvertido. Já veio o cheirinho, essa dança agora… Passou a timidez?
Olha, vai passando aos poucos. Mas sempre dizem que em campo eu me transformo e é lá que me sinto mais à vontade. Fora de campo, ainda estou me acostumando com todo o assédio, morar no Rio de Janeiro.

Como você conseguiu se soltar e quem foi fundamental para isso?
Com o tempo conhecemos mais as pessoas, ganhamos liberdade para conversar com os companheiros. E meus pais (Seu Manoel Júnior e Dona Ivonete) me aconselham muito, sempre estão por perto. Aqui no Rio ou pelo telefone. Acredito que tudo tem seu tempo.

Luiz Fernando, em matéria para o GloboEsporte.com, posou ao lado dos pais, Manoel Júnior e Maria Ivonete (Foto: Thiago Lima)Luiz Fernando, em matéria para o GloboEsporte.com, posou ao lado dos pais, Manoel Júnior e Maria Ivonete (Foto: Thiago Lima)

E no grupo, você já é um dos mais brincalhões, mexe com todos, ou ainda é quietinho?
Não, sou quietinho. Mas entro nas brincadeiras também. Têm uns que fica difícil de a gente querer colocar apelido… Já viu a cara de mau do Carli? E o tamanho do Gatito (risos)?

Conteúdo de Globoesportes