Oficialmente, Durcesio Melo tem apenas 17 dias como presidente do Botafogo. É um tempo quase que insignificante para se colocar em prática a revolução institucional que precisa ser feita no clube de forma geral, para, ao menos, tentar limpar tudo o que foi feito de errado nos últimos 30 anos.

É verdade também que, há muitas coisas que já deveriam estar em progresso e até agora não foram feitas. Além disso, o discurso de Durcesio em recentes entrevistas aponta não para as mudanças que esperávamos, e sim uma continuidade das gestões catastróficas que assolaram o clube em dívidas, resultados pífios e descrédito com o mercado e seus torcedores.

Quando assumiu, Durcesio já pegou o time na zona de rebaixamento. Sem responsabilidade alguma sobre o que tinha acontecido até ali. No chamado “período de transição” entre o dia em que foi eleito (24/11) até o dia que assumiu (4/01),  constatamos atitudes elogiáveis do novo presidente que acompanhou o time e discursou várias vezes nos bastidores buscando motivar e tentando mudar, da forma que era possível, os ânimos e conhecendo o elenco por dentro.

Logo no início do mandato, ainda havia tempo e pontuação para correr atrás e se salvar do rebaixamento sem muitas dificuldades. Os erros cometidos até aqui eram claros. Já se sabia quais os jogadores que estavam envolvidos em noitadas enquanto falhavam grotescamente dentro de campo. Era público perante declarações de pessoas do mercado a incompetência do diretor de futebol. Também notava-se Eduardo Barroca perdido com escalações no minimo, controversas com a realidade.

Era a hora de mudar. Acima de tudo, tinha-se tempo para mudar e motivos claros para mudar. Mas preferiu-se continuar dando espaço para todos os erros cometidos pelo antigo comitê de futebol (do qual Durcesio deu nota 8 quando perguntado) era óbvio que as mesmas práticas, levariam aos mesmos resultados.

Não por acaso o Botafogo é hoje o lanterna do campeonato brasileiro, com toda a justiça, fazendo a campanha mais vexatória de sua história.

Saindo do desastre dentro de campo e indo para os bastidores, também vemos uma realidade totalmente contrária ao discurso de campanha.

Quando o Botafoguense viu a nova gestão sendo eleita, imaginou um Botafogo caminhando para o profissionalismo, mas o que aconteceu até aqui é só uma sequência do “bom” e velho amadorismo.

O CEO, que seria o principal nome da gestão, ainda não existe. É verdade que ele tem que ser escolhido cautelosamente para que não haja um erro na definição do nome e até entende-se esta justificativa pela demora. Mas, e o prometido diretor executivo de futebol?

Os poucos 17 dias de gestão não podem ser usados como desculpa para tamanha demora. O Vasco, nosso rival que vive situação política, financeira e esportiva parecida com a nossa, teve Jorge Salgado eleito por decisão judicial no dia 17 de Dezembro. No dia 1° de janeiro, o cruz-maltino já tinha o seu diretor executivo de futebol e CEO anunciados. O discuso da falta de tempo de Durcesio, eleito no dia 24/11 (3 semanas antes de Salgado) cai por terra.

O Botafogo precisa urgente de mudanças. Durcesio tem de ser mais rápido e fiel ao profissionalismo que tanto prometeu em campanha. A gestão do clube até hoje (21/01), nada se difere das mesmas que nos sugaram os últimos 30 anos.

Ou muda-se imediatamente o discurso e a forma de como o Botafogo é gerido, ou num futuro próximo não existirá mais um Botafogo para se gerir.

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