Após mais uma derrota, dessa vez por 2 a ,1 diante do Bragantino, no estádio Nilton Santos, o Botafogo ocupa a 19° colocação do campeonato brasileiro.

Você vai ouvir por aí que o clube, neste momento, briga contra o rebaixamento.

No entanto, a realidade é mais complexa do que parece. O Botafogo, não luta apenas contra a série B. A luta, na verdade, é para sobreviver.

De fato, estamos diante de uma tragédia anunciada uma vez que o 3° rebaixamento se mostra possível de acontecer.

Os resultados esportivos insignificantes, aliados a um modelo de gestão que gerou 1 bilhão em dívidas, são frutos das mesmas práticas e pessoas que vem atuando nos bastidores do Botafogo há 30 anos.

Estamos na 21° rodada do campeonato brasileiro. No mesmo momento, em 2014, último ano em que foi rebaixado,  o Botafogo ocupava a 15° colocação com 22 pontos. Em 2020, o Botafogo ocupa a vice-lanterna com 20 pontos. Analisando os números, podemos concluir que hoje, o Botafogo não tem uma campanha de time rebaixado.

Na verdade, a campanha atual é pior do que quando foi rebaixado. Só que há consequências diferentes.

Segundo especialistas consultados pelo Resenha Alvinegra, por conta da mudança na fórmula de como são pagas as cotas dos direitos televisivos, cair para série B hoje, representaria em 2021, um orçamento de aproximadamente 70/80 milhões a menos que em 2015 (ano em que o Botafogo disputou a série B).

Não é necessário ser um especialista em finanças para entender que essa queda nas receitas, para um clube assolado em 1 bilhão de dívidas, vai afundar o Botafogo mais ainda numa crise sem precedentes.

Quem são os culpados? Qual é a salvação? As perguntas são diferentes, mas em algum momento as respostas se encontram.

Se pegarmos o corpo diretor do Botafogo hoje e compararmos com o dos últimos 30 anos, teremos vários nomes se repetindo ao longo do tempo. Ou seja, os que tentam puxar para si a alcunha de que estão “salvando o clube”, são os mesmos que o colocaram nessa situação desesperadora. Todos os membros do comitê de futebol atual, acumulam anos e anos dentro da gestão e são eles os diretos responsáveis pelos números a seguir.

Observe o crescimento da dívida do Botafogo de 2005 até 2019.

 

Os dados são do ITAU BBA e do SportsValue

Em 2020, esse número chega a 1 bilhão de reais. Como ele foi construído? Há vários pontos que levam a essa realidade. Um deles, é o abuso dos adiantamentos das cotas de televisão.

Carlos Eduardo Pereira, por exemplo, comprometeu a gestão de seu sucessor Nelson Muffarej quando adiantou boa parte das cotas televisivas até o ano de 2022. Essa prática é antiga no clube. Assim como contratações feitas sem o devido planejamento e que futuramente podem se transformar em dívidas na justiça resultando em penhoras.

 

TRAPALHADAS DO COMITÊ DE FUTEBOL

No final de 2019 o Sr. Carlos Augusto Montenegro foi procurado por três dirigentes do Botafogo com objetivo de, mais uma vez, socorrer as finanças do Clube.

Montenegro aceitou mas impôs condições, entre elas o afastamento imediato do presidente do Conselho Fiscal e o retorno à gestão do Clube do Sr. Ricardo Rotenberg, sendo esse o ponto de partida para a criação do comitê de futebol que passou a ser responsável pela pasta.

Recentemente, dois áudios emblemáticos de dirigentes vazaram e podem ser usados como exemplo de como as contratações são feitas sem a mínima avaliação profissional.

O primeiro áudio é de Ricardo Rotenberg. A contratação de Kelvin foi uma das mais criticadas pela torcida nos últimos anos. Pelo histórico do atleta, era visível que a possibilidade de dar certo era perto de 0. Mesmo assim, foi contratado. Segundo Rotenberg, o critério foi “uma aposta baratíssima. Se der certo, é um achado. Se der errado, é metade do preço do Fernando. Então, não tem muito problema”.

O discurso apresentado pelo dirigente  – “traz que é barato” – compromete a folha salarial do clube, uma vez que se levarmos em conta que a cada 3 jogadores contratados dessa forma, somados os valores, viabilizaria a contratação de um jogador consolidado. 

Além disso, é enorme a lista de jogadores contratados pela atual gestão que, chegaram como “uma aposta baratíssima”, não receberam seus salários, entraram na justiça, passaram por acordos não cumpridos e no fim, conseguiram penhorar somas milionários do clube.

Outro áudio emblemático, foi sobre a situação do atacante Lecaros. O jogador foi contratado, sem os dirigentes saberem que deveriam pagar algo em torno de 1,4 milhão de reais ao seu clube formador. Carlos Augusto Montenegro tratou com naturalidade o fato e relativizou a gravidade do assunto. “Realmente soubemos depois que tem esse mecanismo de solidariedade ao clube formador”. “Pode ser considerado um erro, Lecaros ainda é um jogador jovem. Poderia ser evitado? Poderia. Ou ser negociado ou não contratar. Essas coisas são assim. Um lado positivo, apesar de não ter a ver com o caso, na negociação do Luis Henrique ganhamos bem mais que isso por não ter empresário no meio, ser direto clube a clube. Essas coisas você acerta e você erra. Quem quiser dar porrada, falar em amadorismo, só pegar as coisas ruins, é legítimo pegar isso e bater. Quem achar que isso pode acontecer com qualquer um, não tem nada a ver com profissionalismo ou amadorismo, tem contratações que dão certas e outras não. Apurei, é isso, façam o que quiser dessa informação.”

O Botafogo descobriu a dívida quando estava prestes a sofrer sanções graves da FIFA pelo “calote” ao clube Peruano.

Portanto, estamos diante de uma crise anunciada uma vez que o desempenho do time em campo reflete o modelo de trabalho à frente da gestão do Botafogo nos últimos 30 anos.

 

Categories: Notícias