Retornando ao tema da separação do Futebol do BFR do Clube Social e demais esportes olímpicos.

O que significa isso? Os INVESTIDORES ficam com o quê? E o Clube, o que mantém para si?

Vamos lá… O Modelo, como eu disse, precisa ser definido por uma empresa de consultoria e por uma Banca jurídica que, em sinergia, farão o desenho a ser validado pelos Poderes do BFR.

Todavia, como eu disse, não deve haver muitas surpresas. Nenhuma grande inovação deve surgir em relação ao que já é feito, sobretudo, internacionalmente.

Será usada a CIA. Botafogo ou criada nova empresa para ficar com o Futebol. A princípio, não creio que seja aberta com ações lançadas em Bolsa, o que demandaria aprovação da Comissão de Valores Mobiliários – CVM.

Acredito que a empresa tenha sociedade oferecida a INVESTIDORES em potencial, provavelmente botafoguenses (longe de ser uma obrigação, mas ajudaria na aprovação interna, no momento inicial).

Esses INVESTIDORES teriam cotas ou ações da empresa compondo um percentual igual ou superior à 51%.

SEM CONTROLE, muito difícil termos investidores, mesmo botafoguenses. O Clube precisará aceitar ceder o CONTROLE AOS INVESTIDORES.

Isso pode ser feito por tempo específico, a ser fixado em contrato, ou ser venda perene de ações, talvez com cláusula de recompra sob condições pactuadas e predefinidas.

O que os INVESTIDORES estariam adquirindo? O CONTROLE ACIONÁRIO do Futebol e de suas propriedades mais aderentes.

Como assim? O que isso quer dizer?

Quer dizer que os INVESTIDORES seriam os responsáveis pelo futebol profissional, pelo futebol de base e, provavelmente, pelo Futsal, como meio de ascensão à base.

E que outros direitos teriam os INVESTIDORES?

Os INVESTIDORES teiram as Receitas de contratos de transmissão; material esportivo; produtos licenciados do futebol; Sócio-Torcedor; bilheteria; propriedades de arena, publicidade, catering e estacionamento nos dias dos jogos (no mínimo, abordo isso mais adiante); patrocínios do futebol; direito econômico de atletas; venda de espaços, eventos e intercâmbio do CT; franquias de escolinhas de futebol… Para citar o que vem à mente de imediato.

E quais os DEVERES DOS INVESTIDORES?

As obrigações envolveriam a garantia de pagamento de PROFUT, Ato Trabalhista e outros passivos, já constituídos, quando executados; investimento mínimo em futebol profissional e em futebol de base, fixado no contrato; performance, com multas por não cumprimento de objetivos; royalties sobre a receita bruta ou sobre a receita líquida (a se estudar o mais justo ou viável); rateio de folha de pessoal das atividades de apoio (financeiro, administrativo, jurídico…); pagamento integral da folha do futebol profissional, base e futsal; folha dos funcionários do CT…

E o Clube, gerido por seu Presidente eleito, teria que administrar que propriedades?

Ao Clube, caberia a Gestão de toda a parte de Sedes e da Área Social, envolvendo Sócios proprietários e contribuintes (se existirem); mensalidades; escolinhas de prática esportiva; aluguéis para eventos; locação de espaços publicitários; exploração de catering nas Sedes; produtos licenciados de esportes olímpicos; e os esportes olímpicos que forem viáveis, certamente o Remo, por ser Estatutário.

O Presidente eleito do clube seria ainda responsável pela sua fração de cotas minoritárias do Futebol, caso mantenha para si alguma fração não vendida/cedida a INVESTIDORES.

E quais seriam as despesas do Clube?

O BFR teria como suas as desdepsas de manutenção das Sedes; folha de pessoal de profissionais dessas Sedes; rateio de folha de pessoal das atividades de apoio (financeiro, administrativo, jurídico…); e por aí vai, dentro desde contexto.

E o Estádio Nílton Santos? Com quem ficaria a Gestão? O que faz mais sentido é ficar com os INVESTIDORES.

Neste caso, todo o custo de manutenção (hoje em torno de R$ 800 mil por mês) ficaria a cargo dos INVESTIDORES, cabendo a esses, também, o investimento para não obsolescência e para modernizações eventuais.

Algo diferente seria possível? Sim. Seria possível o clube manter a Gestão do Estádio. Nesse caso ficaria com os custos integrais também, alugando aos INVESTIDORES para jogos, tendo estes a obrigação de mandar jogos lá. Não vejo como a melhor alternativa.

Gestão compartilhada do Estádio entre Clube e INVESTIDORES, seria possível? Sim, neste caso os INVESTIDORES poderiam ficar com a operaçao, despesas e receitas em dias de jogos e o Clube com a operação, despesas e receitas dos demais dias. Pode ser confuso.

O melhor mesmo, até por ser parte da CIA Botafogo, é que a Arena fique integralmente vom os INVESTIDORES. A verdade é que quanto menos propriedades forem geridas pelo Clube, melhor, por motivos óbvios.

 

  • Ronaldo Chataignier é  Doutor em Gestão, mestre em Administração Pública, MBA em Administração  Esportiva, pós graduado em Planejamento e Finanças, especialista em Marketing e graduado em Administração de Empresas.
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