Os irmãos Moreira Salles, Walther e João são possíveis investidores para o Botafogo empresa

O Modelo de Gestão profissional, descrito nos textos anteriores, com toda uma nova proposta de Governança (que eu ainda não especifiquei e discorri aqui), resolve nossos problemas?

NÃO! Infelizmente, NÃO RESOLVE MAIS. Não fizemos esse dever de casa em qualquer das últimas Gestões. Então, é tarde demais.

Nosso estágio de insolvência é tamanho que uma Boa Governança melhoraria, incrementaria Receitas, reduziria Despesas, traria mídia favorável, melhor recepção do mercado, oportunizaria os investimentos, com menos erros e traria uma série de outros benefícios.

Todavia, isso não redolve nossos problemas. NÃO MAIS. Precisamos de $$$ novo, não carimbado, vindo de investidores.

Com INVESTIDORES, resolveríamos nossos problemas imediatos de Fluxo de Caixa, em face das dívidas de curto e médio prazos.

Com INVESTIDORES, podemos ter um Orçamento maior para o Futebol profissional, com maiores investimentos e uma folha salarial maior. Em esporte de rendimento, de alto nível, $$$ é diretamente proporcional à performance.

Quem investe mais, tem mais probabilidade de performar e, por conseguinte, de buscar títulos. Tudo isso traz mais Receitas também, em premiações e por meio das propriedades de Marca

Com INVESTIDORES, concluiremos as obras do CT mais rapidamente e, em 3 ou 4 anos, já teríamos um bom retorno sobre o investido e, em 6 ou 8 anos, mudaríamos todo o perfil do Futebol do clube, com toda uma nova geração de valores formados no clube.

Isso costuma gerar menos despesas na folha de salários dos profissionais e tende a trazer retorno financeiro por meio de vendas de direitos econômicos. Fora performance, briga por títulos e por aí vai…

INVESTIDORES… Essa é a saída… Não há outro caminho viável para continuarmos sendo uma grande Marca. Ou voltarmos a ser, em uma visão mais criteriosa, talvez.

E, no Modelo atual, com o BFR sendo gerido por amadores em seus 4 níveis hierárquicos principais, algum investidor colocaria $$$ no clube? É ÓBVIO QUE NÃO!

INVESTIDORES, para injetarem $$$ em grande volume, precisam CONTROLAR A OPERAÇÃO.

É nesse contexto que precisamos separar o Futebol do BFR do Clube Social e demais esportes.

INVESTIDORES! Essa seria nossa melhor alternativa!

Para termos INVESTIDORES, há de de ter duas PREMISSAS! A saber: a primeira seria separação do Futebol do BFR do Clube Social e demais esportes olímpicos, inclusive o Remo. A outra é o controle acionário por parte do INVESTIDOR.

Como fazer? Há “n” formas. O recomendado é contratar uma empresa de consultoria como Ernst & Young, KPMG ou Deloitte para auditoria e desenho do Modelo, e uma boa banca de advocacia, para dar a base jurídica necessária ao negócio.

Definido o Modelo, ele precisa ser aceito pelo Conselho Diretor e encaminhado ao Conselho Deliberativo, para votação e, posteriormente, ser aprovado por uma Assembléia de Sócios. Esse é o caminho legal e formal previsto pelo Estatuto do BFR.

OK, esse é o rito. E o Modelo? Qual seria? Ou qual o melhor?

Bem, antes disso, é importante contextualizar. Há muitos exemplos internacionais, desde o século passado, de 80 para cá.

Nas décadas de 80 e 90, o comum era tender para abertura de capital, constituindo uma S.A. e abrindo ações para serem negociadas em Bolsa de Valores. Havia, portanto, maior pulverização na distribuição acionária, embora fosse possível identificar um sócio majoritário, normalmente.

A tendência atual, ao contrário, não é de pulverização, mas de concentração acionária, com um controlador claro e inequívoco, com quase a totalidade das ações.

Este pode ser o nosso caminho, partindo de INVESTIDORES botafoguenses, com uma concessão de médio/longo prazo, de 10 à 15 anos para, então, quiçá, abrir mais a distribuição de ações ou buscar outros investidores.

E como seria essa concessão? Quais as alternativas?

Poderia ser um Licence de Marca ou, mais provavelmente, a separação de Futebol do resto Clube por meio de uma PJ, possivelmente uma S.A., sem ações negociadas em Bolsas de Valores, que poderia ser a CIA. Botafogo ou outra empresa criada para essa finalidade.

O melhor Modelo viria, justamente, das consultorias contratadas, embora creio que o caminho venha a ser mais ou menos o esperado, sem muitas supresas. Não inventarão a roda.

  • Ronaldo Chataignier é  Doutor em Gestão, mestre em Administração Pública, MBA em Administração  Esportiva, pós graduado em Planejamento e Finanças, especialista em Marketing e graduado em Administração de Empresas.