Pedido é feito pelo clube por denúncia de fraude na inscrição da chapa, que contava com seis mortos; apuração do MP não sairá antes de resultado da eleição desta terça-feira

Em dia de eleição, o Botafogo apresentou nesta terça-feira uma notícia-crime ao Ministério Público do Rio para apurar possíveis irregularidades na chapa verde. No documento, o clube pede que seja investigada a autoria da inclusão de assinaturas de pessoas mortas na composição inicial da chapa “O Mais Tradicional”, encabeçada por Walmer Machado.

Foram encontrados registros de seis mortos entre as assinaturas de sócios anexados pela chapa verde. A denúncia partiu do presidente do conselho deliberativo do clube, Edson Alves, que repassou ao departamento jurídico o pedido de apuração da Junta Eleitoral. Em seguida, foi contratado um escritório de advocacia que analisou os documentos e entrou com o pedido de inquérito no Ministério Público para apurar quem é o culpado por constar nomes de pessoas mortas na pré-inscrição da chapa.

O ge teve acesso ao documento. Veja o que diz parte da denúncia:

“Todas as informações trazidas com a presente apontam para uma suposta produção e uso de documento integralmente falso, consistente em Termos de Declaração “subscritos” em nome de pessoas falecidas, não-sócias do Botafogo de Futebol e Regatas e sócios com menos três anos de associação ao clube, o que caracteriza, em tese, os delitos insculpidos nos arts. 298 (falsificação de documentos) e 304 (uso de documentos falsos), do Código Penal.”

No entendimento do clube e do presidente do conselho, por mais que a junta eleitoral tenha considerado que não houve qualquer irregularidade na composição da chapa, a inscrição de mortos com supostas assinaturas dos mesmos “ultrapassou o limite do aceitável ética e moralmente falando” conforme uma pessoa ligada ao assunto revelou ao ge.

 

Ainda sobre a decisão da junta eleitoral em não impugnar a chapa verde, o Botafogo afirma que a lista inicial, na qual podem ser feitas alterações, prevê apenas que seja a troca de um nome por outro em caso de inadimplência dos sócios. No caso de mortos, isso configuraria como fraude, uma vez que não haveria como constar a assinatura deles.

A notícia-crime que o Botafogo apresentou ao Ministério Público não terá poder de retirar a chapa verde da disputa. Até porque o MP não conseguiria averiguar a denúncia a tempo. Uma resolução para o caso está prevista somente para o ano que vem.

Edson Alves, autor da denúncia, também faz parte da chapa Mais Botafogo, do candidato Alessandro Leite. Questionado se o ato poderia ter alguma interpretação eleitoreira, Edson negou.

– Da minha parte fiz o que a junta solicitou. Só um detalhe. Quando encaminhei ao jurídico, ficou a cargo deles decidir o que fazer. Nem sabia que seria encaminhado ao MP. Outro detalhe: eu me declarei impedido de presidir a junta eleitoral justamente para que não se misturasse as bolas, dizerem que estaria influenciando politicamente na eleição – disse o presidente do conselho deliberativo.

OUTRO LADO

O ge procurou por Walmer Machado para responder à acusação contra a chapa. O candidato negou que haja irregularidades nas inscrições e atacou o grupo Mais Botafogo.

– A minha chapa está regularmente feita, com todos os sócios ativos e regulares. Inclusive com certidões do Botafogo Futebol e Regatas. Agora, se tem alguma coisa, quem tem a administração e a máquina administrativa são eles. Eles que eu digo é o pessoal da gestão, da situação. Não sei o que está acontecendo em meio a pandemia, se algo chegou não é do meu conhecimento. Agora, o ônus da prova cabe a quem acusa. Sendo certo que se eu for notificado versaremos com denunciação caluniosa contra todos os membros que entendermos que estão por trás dessa manobra – afirmou.

– O momento político tem tudo a ver porque o grupo Mais Botafogo é inexpressivo politicamente falando. Afundou o Botafogo e agora visa retaliar. Saibam que é um direito que eles têm. Se eu for noticiado, notificado, de alguma coisa, tomar conhecimento dessa notícia oficialmente, vamos fazer o mesmo. Vamos promover denunciação caluniosa contra eles. Vamos ver se eles tem autoria. Eles podem ter um documento material, alguma prova. Mas se não tiver autoria e meu nome estiver citado, eles irão responder por denunciação caluniosa – concluiu.

O ge também procurou o Botafogo. Questionada, a direção do clube negou atuar por interesse político e afirmou que precisou agir pela lisura do processo eleitoral. O clube entende que a irregularidade foi cometida e pediu ao poder público que apure o autor do delito.

Fonte: GE

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