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Alberto Valentim completa um mês de Botafogo nesta quarta-feira. Poderia ser diferente se aceitasse ficar no Palmeiras… como auxiliar. Recusou o passo atrás em novembro, quando seu ex-clube decidiu apostar em Roger Machado. A decisão foi apoiada por Felipe Melo, jogador que ajudou a recuperar e o recolocar no posto de líder na campanha do vice-campeonato brasileiro.

“Alberto é da escola italiana, do Luciano Spalletti”
À época defensor da efetivação de Valentim, Felipe disse ao técnico, após a escolha por Roger, que via nele um grande potencial e tratou o eventual retorno à condição de auxiliar como um erro. À imprensa, em 23 de novembro, afirmou: “É um cara que cobra, disciplinador, mas que não quer ser mais estrela do que jogador. Vai dar o que falar pela inteligência dele”.

Agora feliz com o bom início de Valentim no Botafogo, Felipe Melo confirma ao GloboEsporte.com a conversa em particular na qual o disse que não queria vê-lo de novo como auxiliar e enumera qualidades de seu ex-treinador.

– Falei isso porque acho que, caso ele voltasse a ser auxiliar, seria um desperdício muito grande. Cara da nova geração que tem um futuro impressionante pela frente e entende muito de futebol. Sou um pouco suspeito de falar, porque todos os treinos que vi dele foram a nível italiano.

– Vi grandes treinadores italianos darem o mesmo tipo de treinamento. Ele é da escola do Luciano Spalletti (Inter), que é uma que eu aprecio muito, que arrisca quando tem que arriscar. É um cara ponderado – afirmou Felipe.

Felipe Melo e Alberto Valentim conversam durante treino do Palmeiras, em 2017 (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras) Felipe Melo e Alberto Valentim conversam durante treino do Palmeiras, em 2017 (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras)
Felipe Melo e Alberto Valentim conversam durante treino do Palmeiras, em 2017 (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras)
Até agora são cinco jogos, três vitórias, um empate e uma derrota (66,6% de aproveitamento) com o Botafogo.

Alvinegros veem Valentim longe do “treinador-paizão” e com pulso firme
Para ter um termômetro de como o grupo do Botafogo tem recebido o trabalho de Alberto Valentim neste primeiro mês, a reportagem conversou com pessoas próximas aos atletas.

Entre os procurados pela reportagem, uma unanimidade: Valentim não faz o tipo “paizão”. Cobra, é leal, justo, mas não busca a proximidade a ponto de virar um “parceirão” do grupo.

– Ele é um grande treinador, tem um futuro grande pela frente. Competitivo em todos os treinos. Estilo europeu. Sem história e muita conversa, cobrança é diária – afirmou.

Um outro atleta vê Valentim como bastante didático. “Mais professor, menos paizão”. Fala com confiança e demonstrando conhecimento do que aborda. Além disso, afirma que as coisas que ele, durante palestras e preleções, afirma que irão acontecer nos jogos de fato normalmente acabam ocorrendo.

Tal característica de “antever o que vai acontecer” se revela pelo fato de Alberto, segundo pessoas próximas a ele, estudar à exaustão o adversário. Para isso, apoia-se muito em seu auxiliar Fernando Miranda e trabalha muito próximo aos analistas de desempenho.

Alberto Valentim fala muito durante os treinamentos (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo) Alberto Valentim fala muito durante os treinamentos (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)
Alberto Valentim fala muito durante os treinamentos (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)
“Fala muito!”
Desde as entrevistas como técnico do Palmeiras, Alberto se diz um “chato” e cobra “qualidade”, palavra que repetiu muito em suas primeiras coletivas no Botafogo, nos treinamentos. Não tolera atrasos e gosta de corrigir erros de forma detalhista.

– Não é paizão, trata a gente como profissional. Todo mundo gosta do trabalho dele. Trouxe trabalho novo, e o cara tem pulso firme. O cara é fera. Espírito de liderança que não tem nem comparação – completou um terceiro atleta.

Desde a chegada de Valentim, nossa reportagem, presente a todos os treinamentos, reparou que o treinador fala muito e é inquieto. Anda para um lado e para o outro sem parar, sempre fazendo elogios ou correções aos erros. Costuma ficar perto do atleta. Repare em vídeo do treino desta terça ele contando os passes e completando com “Linda bola, Carli”.

Nas atividades, costuma apresentar novidades. Faz muitas marcações no campo, usa bandeirinhas (auxiliares) e promove gincanas visando o acerto no gol.

Conceitos trazidos da Europa empregados no trabalho
Como Felipe Melo e um jogador alvinegro citaram, Alberto Valentim forjou seu estilo como treinador na Itália. O próprio técnico bateu muito nessa tecla desde a chegada a General Severiano.

Para dar às atividades a tal “qualidade” que tanto cobra dos seus comandados, Valentim prefere treinos não muito demorados, mas baseados em alta intensidade. Planeja com antecedência para reparar erros individuais e de olho no próximo adversário.

Seus treinos têm intervalos cronometrados, e todos envolvidos na atividade estão cientes disso. Tais conceitos de disciplina e organização Valentim tirou do que aprendeu na Europa.

Além de ter vestido as camisas de Siena e Udinese como jogador, Alberto Valentim fez estágios para crescer como treinador na própria Udinese, na Roma e na Juventus.

Globoesportes

Categorias: Notícias

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