Ídolo e agora adversário do Botafogo, Loco Abreu declara ter saudades e sonha retornar ao clube.

Sebástian Abreu hoje veste o uniforme do adversário. Não usa o preto e branco do clube de General Severiano profissionalmente há quase seis anos, tem 41 de vida nas costas e defendeu outras 10 camisas após encerrar seu vínculo com o Alvinegro. Mas segue Loco pelo Botafogo. E, como sonhar não custa nada, o uruguaio ainda acredita em voltar a jogar pelo Glorioso.

– Vou te falar uma coisa curtinha: enquanto eu for profissional, o sonho vai existir sempre. Só acabará no dia que eu me aposentar, e aí a vontade será de voltar de outro jeito. As únicas coisas boas da vida que ninguém pode tirar são os sonhos que cada um tem.

Veja quais são as 13 saudades que Loco Abreu tem do Botafogo e do Rio de Janeiro

Veja quais são as 13 saudades que Loco Abreu tem do Botafogo e do Rio de Janeiro. E ele morre de saudades do Botafogo. Ele até falou 14, mas a intenção era remeter ao número que eternizou em General Severiano.

Loco Abreu eternizou o número 13 em General Severiano (Foto: Divulgação / Botafogo)

Loco Abreu eternizou o número 13 em General Severiano (Foto: Divulgação / Botafogo)

Centroavante do Audax Italiano, rival do Botafogo no Estádio San Carlos de Apoquindo, na próxima quinta-feira, às 19h15 de Brasília, o eterno camisa 13 alvinegro vibrou muito com o título carioca. Uma conquista com a cara alvinegra, com sofrimento. Ele garante que nenhum botafoguense trocaria o triunfo nos pênaltis após gol aos 49 do segundo tempo por uma vitória tranquila.

– Da forma que foi feito o jogo e da maneira que a gente conseguiu o último gol… Foi na raça, na vontade, no desespero, no sufoco. E depois dos pênaltis veio a comemoração, então o torcedor do Botafogo, por mais que te fale: “Eu gostaria de ganhar na tranquilidade, jogando bem, na elegância”… Se puder escolher, o pessoal vai dizer: “Deixa continuar ganhando assim que a gente gosta”.

E Loco, via Twitter, na véspera da decisão mandou uma mensagem ao grupo alvinegro e à torcida. Ele falou sobre essas energias, lembranças do Botafogo, experiências no futebol do exterior, Rodrigo Aguirre e muito mais.

Confira tudo abaixo:

Mensagem enviada no último sábado, no Twitter
O que aconteceu, eu estava lá em casa, e o André Silva, que era vice-presidente da gente na época, me mandou o vídeo. Somos muito parceiros até hoje. Aí fiquei arrepiado com essa preparação para a última final, ver a torcida do jeito que estava, com essa empolgação… Eu sou botafoguense, então vou transmitir também boa vibração para o elenco, para o clube. Então falei: “Não sei o que vai acontecer, mas essa torcida já é campeã, e tomara que o time possa dar uma alegria para todos nós e deixar tudo em campo, como sempre faz”.

O título com “gol que todo mundo adora”

E, graças a Deus, foi assim. Um gol que todo mundo adora, no minuto 94, ir para os pênaltis e ser campeão quando todo mundo achava que não dava… Botafoguense gosta de sofrer, tem outro sabor ser campeão dessa forma.

Quando todo mundo dava como perdido, as estatísticas diziam que o Vasco seria campeão… Que eles vencem a primeira e empatam na segunda. Foi a volta (o troco) do primeiro jogo, em que o Vasco comemorou no último lance no Nilton Santos, a gente comemorou no Maracanã. E nos pênaltis o Gatito Fernández foi muito bem. Foi uma alegria para todo mundo, e para esse elenco também que começou o ano com bastante dificuldade e conseguiu virar a situação.

Amigos do peito: Jefferson tem foto com Loco Abreu no Instagram (Foto: Reprodução / Instagram)

Amigos do peito: Jefferson tem foto com Loco Abreu no Instagram (Foto: Reprodução / Instagram)

Você tem amigos ainda no Botafogo? O Jefferson é seu amigo, né?
O Jefferson é muito parceiro, temos muito contato. A gente concentra amanhã, ele está chegando hoje à noite. Não dá para ir no hotel, mas com certeza em campo vamos nos dar um abraço. Também vou poder ver outro grande amigo, uma pessoa maravilhosa como o Anderson Barros. Fiquei muito feliz que ele voltou ao lugar que nunca deveria ter saído, e voltou com título. Está dando uma reconstrução com o conhecimento que tem dentro do clube.

Comemoração de Andrés Ríos no primeiro jogo lembrou os “cojones” de Loco Abreu
Vi nas redes sociais as brincadeiras depois do segundo jogo, de que sou o único que comemora assim. Mas são diferentes, a minha foi por uma situação especial, tinha errado um pênalti e tive a possibilidade novamente de chutar (contra o Fluminense, com Cavalieri no gol). Do Andrés foi um gol na hora, importante, mas fica legal, se é para lembrar da gente, está tudo bem (risos).

Jefferson foi um dos melhores com quem trabalhou?
Claro. Mas por quê? Não só por ser um goleiro muito bom, mas que aparece no momento certo. Quando jogava com ele, tinha tranquilidade de ir para frente, com tudo, que o “Gato Preto”, como a gente chamava, o “Gato Preto Seleção” vai ajudar. Ele pega as bolas que tem que pegar, então dizíamos: “Esquece ele e vamos fazer nosso jogo”. Ele transmite uma qualidade muito boa e muita segurança.

Quais foram os melhores goleiros com quem jogou?
Futebol me deu a oportunidade de pegar goleiros muito bons: o Muslera, o Gustavo Munúa, que era do Nacional-URU e na Espanha o Claudio Bravo.

Sabe que você é o jogador com mais clubes na carreira profissional, com 26? É um recorde.

Quinta, antes do jogo, vão me dar o certificado do Guinness, vai ser entregue aqui em campo. Obviamente estava sabendo porque foram os caras que me avisaram.

O que pensa disso?
É legal. Situação que aconteceu naturalmente. Normalmente você se prepara para um recorde, no meu caso foi natural. Falam do Uruguai, da minha cidade e da minha gente. É uma situação altamente positiva. Muitas pessoas me ligam e me parabenizam. Fica bom.

Vai chegar aos 30, 40 clubes?
Não sei. O mais importante na vida é não se projetar futuro. Muitas vezes as pessoas pensam mais no futuro e não curtem o momento. Curto o dia a dia, o clube, o treino, a família, os parceiros… Tudo que vier para frente será melhor do que cansar a cabeça pensando no que virá. Ninguém sabe o que vai acontecer. Você pode sim, com cabeça e atitude positiva, traçar o seu destino e procurar o melhor para o seu futuro.

Teve algum clube que te trouxe emoção parecida ao que viveu no Botafogo depois de sair, em 2013? (Loco defendeu 10 times no período)
Não sei fazer comparação. Uma coisa é comparar pessoas, gols, mas sentimento interno é difícil. Aconteceram alguns fatos que me fizeram desfrutar de maneira diferente alguns clubes. O Rosario Central foi uma fase muito boa. O que aconteceu em El Salvador também. Você ir lá, com todas as dificuldades que existem, poder ser campeão e artilheiro. Com minha chegada, dar conhecimento ao futebol de El Salvador, que estava esquecido em nível mundial, foi muito legal.

Amor dos atletas o marcou na Série B uruguaia
Uma situação que curti muito e que na parte humana foi maravilhosa é a passagem curtinha pelo Central Español, um time da B no Uruguai. Fiz uma viagem ao passado. A tudo que você passou quando começou, com muitos problemas e dificuldades. Aí você já chega com uma trajetória importante e volta a viver a mesma situação. E passa a se honrar do jogador uruguaio. De como ele tem força e espírito quando não tem água quente para se banhar, água para beber, a estrutura para treinar é muito ruim… Mas para os caras o lugar de treino é o melhor do mundo. O jogo que jogávamos era o melhor do mundo para eles. Para mim, foi fantástico. Deu uma empolgação a mais para seguir no futebol.

Rodrigo Aguirre é o mais novo uruguaio do Botafogo (Foto: Twitter oficial do Botafogo)

Rodrigo Aguirre é o mais novo uruguaio do Botafogo (Foto: Twitter oficial do Botafogo)

Falando do amor dos uruguaios, você conhece Rodrigo Aguirre? Ele pode manter a mística de uruguaios bem-sucedidos no Botafogo?
Sei quem é, lógico. Quem está no futebol conhece, ainda mais porque ele teve no Nacional. Tenho pleno conhecimento das características que ele tem. É um centroavante que pode ajudar muito, mas não é artilheiro. Ele é um atacante que faz gols.

Têm três tipos de atacantes: atacante que faz gol, o atacante que ajuda os outros a fazerem gols e o artilheiro. É um atacante que faz gols, muito forte, potente e que adapta rápido. Se o jogo é de jogar bem ou é para briga, também se adapta. Não tira a bunda da agulha. É raçudo. Para as características que o Botafogo tem, pode se entrosar muito bem e ser importante.

Puerto Montt (artilheiro na Série B Chilena), clube para vencer preconceitos contra idade e o último que defendeu antes do Audax.
Foi uma experiência muito boa. Você consegue romper barreiras do preconceito da idade. A cada lugar que vou, El Salvador, aqui no Chile, e até mesmo no Uruguai, se faz uma rápida avaliação: “Ah, ele não vai aguentar, está velho”. E aí, aos poucos, os caras tinham que mudar de opinião.

O bom aqui no Chile é que quem avaliou assim pediu desculpas e falou em avaliar jogador e não idade. Além do desafio do time, é um desafio pessoal de transmitir que, se você vive o futebol do jeito que deve viver, é possível jogar em alto nível com 40, 41 anos. Isso, para mim, é um incentivo para reafirmar o que a gente pensa e também algo para passar aos mais jovens.

Quais foram os clubes mais especiais no seu coração?
Dá para falar, porque você não pode ser hipócrita. Defensor Sporting, clube que eu iniciei; Nacional, San Lorenzo, Rosario Central, Tecos-MEX, Dourados-MEX, e o Botafogo, obviamente. E no final posso te falar da parte especial humana, que vivi e foi linda, o Central Español. São os clubes que, em nível sentimental, posso escolher. Vivi momentos bons em outros clubes, mas, por situações humanas, esses são os que mais gosto.

Loco Abreu em sua chegada ao Puerto Montt, na Série B do Chile (Foto: Twitter / @loco13com)

Loco Abreu em sua chegada ao Puerto Montt, na Série B do Chile (Foto: Twitter / @loco13com)

Acompanha a todos até hoje?
As redes sociais são aliadas. Não dá para ver todos os jogos, mas dá para acompanhar a todos e ter uma ideia de como cada clube está.

Ainda sonha com o retorno do Botafogo?
Vou te falar uma coisa curtinha: enquanto eu for profissional, o sonho vai existir sempre. Só acabará no dia que eu me aposentar, e aí a vontade será de voltar de outro jeito. As únicas coisas boas da vida que ninguém pode tirar são os sonhos que cada um tem.

Você já disse que sonha treinar o Botafogo. O sonho segue vivo?
No dia que eu ver que não estou preparado para a competitividade e em que eu não estiver mais curtindo, vou me preparar bem para ser treinador. E lógico: você sonha ser treinador de clubes nos quais você ficou marcado.

Por quê? Pelo conhecimento total do clube e por saber o que o torcedor quer. E pelo sentido de pertencer ao clube. Você não vai chegar vendendo nenhum espelho diferente do que a realidade manda. Você sabe onde ir, o que o clube quer e da história do clube.

Loco Abreu se movimenta e brinca durante o treino de terça-feira do Audax (Foto: Fred Gomes)

Loco Abreu se movimenta e brinca durante o treino de terça-feira do Audax (Foto: Fred Gomes)

Vamos falar de Audax. Você começou como titular, depois ficou quatro jogos no banco e agora no último nem foi relacionado. Por quê?
O time tem um jeito de jogar mais recuado e no contra-ataque. Então o treinador está achando que as características de centroavante de área não são tão utilizadas para o que ele está precisando. Testa outras situações.

A gente está em último lugar e normalmente quando uma fórmula não está dando certo, o treinador pode procurar outro tipo de estratégia. Tenho que estar preparado para ser importante dentro das características que o time precisa e ser uma peça decisiva durante os 90 minutos.

Loco começou titular, mas vem sendo reserva no Audax Italiano (Foto: Divulgação / Audax Italiano)

Loco começou titular, mas vem sendo reserva no Audax Italiano (Foto: Divulgação / Audax Italiano)

É possível vencer o Botafogo e melhorar a situação no Campeonato Chileno?
Para muitos deles, é a primeira experiência internacional. Torneio internacional dá outro respirar, outra mentalidade e outra sensação interna. Você pode deixar de lado por três dias a competição local. Você começa a sentir um cheirinho diferente, passa a aparecer em toda a América.

Obviamente o jogador de futebol gosta. O jogador se prepara para que o nome do Audax e do futebol chileno sejam respeitados e bem avaliados, independentemente do resultado. Mas você precisa mostrar que o time é competitivo nos 180 minutos.

Ver o Botafogo campeão com gringos como protagonistas foi diferente?
É legal e quero parabenizar principalmente quem contrata os estrangeiros. De contratar certo e fazer a avaliação do tipo: “Esse jogador tem a cara do Botafogo, vai se adaptar e dar certo”. Quando você vê que os estrangeiros realmente comparecem e se colocam dentro da ideologia do clube, você fica tranquilo e feliz.

O estrangeiro – em qualquer parte do mundo – tem uma pressão maior porque tem de provar que está jogando no lugar de um jogador local. Quando você vê esses caras em alto nível e realmente entendendo qual a camisa que estão vestindo, o torcedor do Botafogo gosta.

Fonte: Globoesportes

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