Paulo César Caju, ídolo ex-jogador do Botafogo e da seleção Brasileira, disparou contra os atletas e contra a diretoria do clube de forma bem incisiva. O texto foi publicado ontem em sua coluna da Veja e além das críticas ao atual elenco, traçou um paralelo sombrio do clube comparando a Cruzeiro, Portuguesa e os times de subúrbio de Rio e São Paulo que desapareceram.

De início, PC Caju confessou que desligou sua televisão e foi dormir logo quando o Vasco fez o primeiro gol no clássico do último domingo. Segundo ele, “sei que o Botafogo não tem time para reverter um resultado e, pela manhã, não fiquei surpreso ao concluir o placar final: 3×0”.

Sua análise segue, mas com reflexões do extra campo conturbado que levou o clube a estar nessa situação.

“Tenho 71 anos e ao longo dessa estrada e venho acompanhando as destruições causadas pelos dirigentes, sanguessugas, destruidores de patrimônio, coveiros da memória.

Vocês têm notícia de algum presidente, diretor, gerente, conselheiro ou vice preso? Não estão encerados e, pior, aproveitam-se da popularidade de alguns desses clubes, candidatam-se a cargos políticos. E me expliquem o que leva alguém a querer administrar, presidir um clube falido?

Os clubes trocam de técnico como se bebe água, acumulam dívidas e deixam o abacaxi para as administrações seguintes. A CBF deveria dar uma freada nessa dança de cadeiras, pois é um jogo de interesses que só prejudica as instituições porque de alguma forma essas dívidas terão que ser pagas. E aí começa a dilapidação do patrimônio. Na segunda divisão, isso foi vergonhoso”.

Além das críticas ao que vem acontecendo até aqui, Paulo Cesar Caju mostrou temor ao futuro do Botafogo. O ídolo alvinegro comentou sobre o projeto S/A e mostrou temor da realidade do clube se aproximar da vivida por Cruzeiro ou até mesmo a Portuguesa de Desportos.

“O Botafogo vinha falando de clube empresa e aguardava cair do céu a ajuda de uma família rica. “Quem dorme sonha, quem trabalha conquista” ensina a mensagem que vem colada aos pacotes de balas, que os meninos penduram nos retrovisores dos carros, nos sinais de trânsito. Botafogo, Portuguesa e Cruzeiro já conquistaram, viveram dias de glória, mas pelo jeito seus últimos presidentes não seguiram os ensinamentos da garotada dos sinais e agora estão engarrafados, sem saída, presos em um sinal vermelho que talvez não fique verde nunca mais”.

Categories: Elenco