O peso dos esportes olímpicos nas finanças do Botafogo é muito discutido no clube. O fato de quem paga toda essa conta tem sido bastante debatido fruto do recente sucesso no Basquete e no Vôlei. Na verdade, os valores assustam. Com provas, iremos mostrar o gigantesco dano causado pelos esportes olímpicos ao carro-chefe do clube: o futebol – que vive situação financeira delicada.

É importante que fique bem claro, não há nenhuma intenção por parte do Resenha Alvinegra de depreciar ou criticar o trabalho feito pelas modalidades. O foco da matéria é a gestão irresponsável e catastrófica comandada pelo Mais Botafogo.

Para começar a ilustrar o absurdo feito, baseando -se no balanço oficial do clube, vemos que as receitas geradas pelos esportes olímpicos no ano passado foram ao todo 5.4M de reais. Com seu maior aporte vindo da TIM, no valor de 4,1M de reais que posteriormente será explicado.




 

Porém na hora de gastar, o clube utilizou-se de quase o dobro do que arrecadou. Ao todo, foram gastos 9,8M de reais. causando um déficit (Segundo os números oficiais presentes no balanço), de 5,7M.

 




É muito difícil de se chegar em um número concreto. O balanço oficial disponibilizado no portal de transparência do clube é muito complicado de se decifrar. Há dados que são específicos, como há dados que são misturados. Abrindo lá você verá alguns itens onde os números são apresentados como “Esportes Olímpicos/Sede Social”. Sendo assim, esses dois itens são apresentados com seus números somados sendo impossível de chegar a um resultado certeiro.

Mas há um déficit. É um fato! Inclusive, em declaração presente no site oficial o atual VP de finanças do clube assume que hoje, o futebol é quem sustenta todas as alas do clube. E nesse mesmo pronunciamento ele chega a um número de 6M de prejuízos gerados pelos esportes olímpicos.

“Portanto, se expurgarmos as despesas não operacionais, encontramos um déficit de R$ 6,2 milhões no ano. Ainda não estamos nas condições que almejamos de sustentabilidade, embora estejamos firmemente caminhando para tal. Temos a perfeita consciência de que o Futebol, nossa principal fonte de recursos, não pode ser sobrecarregado para cobrir déficits de outras áreas do Clube.” – Declarou o Vice Presidente de Finanças..

A matéria completa você pode conferir aqui: https://www.botafogo.com.br/noticia_interna.php?cat=oclube&session=5206&subtag=Botafogo%3E

Da declaração acima, frisamos a parte “Ainda não estamos nas condições que almejamos de sustentabilidade, embora estejamos firmemente caminhando para tal.”




Mas na prática parece ser ao contrário. Com o inegável sucesso esportivo do Basquete e do Vôlei no ano passado, o clube se sentiu na necessidade de reforçar sua equipe. Os jogadores que chegam, são reconhecidamente de um bom nível para o cenário nacional. Segundo uma crítica irônica do jornalista Thiago Pinheiro, comparando aos principais times do basquete mundial, o Botafogo foi segundo que mais contratou. Ficando empatado com o atual vice-campeão da NBA, Golden State Wariors.

Tal prática foi alvo de críticas de Alexandre Rangel, um dos diretores da Ernest Young. Empresa responsável por elaborar o projeto da SPE a ser implantada no clube, encomendada pelos irmãos Moreira Salles. Conhecedor da real situação financeira do clube, utilizou-se de seu twitter para se posicionar contrário a clubes em situações como a do Botafogo que gastam de onde não tem para sustentar outras modalidades, sobrecarregando o já deficitário futebol.




O aumento de gastos que antes já não se cobriam, é por si só um absurdo. Fica pior ainda quando se vê que para 2019 as receitas serão menores. A maior parte da receita destinada aos esportes olímpicos hoje vem de um patrocínio da Tim. Esse patrocínio vem através de um incentivo fiscal do governo. Nos mesmos moldes da famosa “Lei rouanet”, onde a empresa incentiva o esporte e é autorizada a captar junto ao clube um valor previamente aprovado, que futuramente é abatido em impostos. No ano passado, foram captados 4,1M de reais. Porém esse ano o valor é menor. Para 2019 o clube conseguiu captar apenas 3,15M de reais. Gasta-se mais do que no ano passado enquanto em contra partida recebe-se menos.

E a história piora. Já que para o valor captado, possa ser recebido pelo clube, é preciso que se tenha CND’s (Certidão negativa de Débito). Por conta de atrasos de pagamentos e recolhimentos de impostos, o clube perdeu a certidão e hoje está impossibilitado de receber o valor perante a TIM. Para recuperar a CND, o clube fez uma solicitação ao ministério da Fazenda Nacional da União para que o valor dessa dívida fosse parcelado. inicialmente obtido por uma liminar. Com o pagamento da primeira parcela do acordo, o clube recuperaria de forma provisória  as certidões necessárias. Por falta de dinheiro, a parcela não foi paga. Logo depois, a liminar foi derrubada por um novo juiz. Congelando o patrocínio da Tim e jogando todas as despesas para os cofres já debilitados do futebol.

Confira o despacho na íntegra:

https://www.jusbrasil.com.br/diarios/documentos/744158650/andamento-do-processo-n-5051261-8020194025101-mandado-de-seguranca-15-08-2019-do-trf-2?ref=feed

 

Queremos mais uma vez ressaltar que o Resenha Alvinegra deseja ver o Botafogo campeão seja de qual esporte for. Torceremos e apoiaremos todos que vestirem nossa camisa. Mas é preciso responsabilidade por parte de quem comanda o clube. A temporada 2019/2020 está para começar. Até que o clube resolva todas essas pendências (se é que vai conseguir), quem vai pagar a conta? E mesmo que consiga, de onde sairá o valor da diferença entre receita e despesa existente? O futebol que não consegue sustentar suas próprias contas, não pode continuar com mais esse peso.




 

Categories: Notícias

0 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *