O grupo político “Mais Botafogo”, responsável pela gestão o clube desde 2015, primeiro com Carlos Eduardo Pereira e, a partir de 2017, com Nelson Muffarej, enviou por e-mail uma nota oficial para os sócios proprietários do clube se eximindo da culpa pelo fracasso no futebol em 2020.

O argumento utilizado é que o Mais Botafogo não tem gerência da modalidade desde o dia 5 de novembro de 2019. O grupo a partir desta data, joga toda a responsabilidade dos acontecimentos para Carlos Augusto Montenegro e para o comitê de futebol.

A nota ainda afirma que desde então, o Mais Botafogo “dedicou-se prioritariamente, a partir de então, a continuar tentando resolver o problema mais grave que tínhamos, que era a falta de recursos para o pagamento de salários, em virtude de penhoras”. No fim, afirmam que esta tarefa foi cumprida com “brilhantismo”.

Fatos importantes a serem pontuados:

Apesar do grupo tentar fugir da responsabilidade colocando toda a culpa de gerência do futebol em Montenegro e na criação do comitê, foi o próprio Mais Botafogo que aceitou que o clube fosse gerido desta forma.

No ano passado, Carlos Augusto Montenegro ajudava a atual gestão com empréstimos e pagamentos. No entanto, Montenegro considerava os gastos elevados no basquete e em outras modalidades enquanto o futebol passava por dificuldades. O fato irritou o ex-presidente que decidiu se afastar e não mais ajudar.

A partir desse momento, o Mais Botafogo foi até a casa de Montenegro com 3 representantes do grupo convencê-lo de que retornasse para ajudar financeiramente. Como condição para a sua volta, foi posto a exoneração de Gustavo Noronha (VP de futebol a época) e a criação do tão falado comitê de futebol. A ação, foi aceita pelo Mais Botafogo que ali assumiu a responsabilidade de todos os atos futuros.

Outro fato incoerente com a realidade na nota, é o de que os problemas financeiros do clube foram conduzidos com “brilhantismo”.

Estranho, uma vez que o Botafogo sofre até os dias de hoje com os seguidos adiantamentos das cotas de televisão e penhoras de jogadores contratados por esta gestão de valores questionáveis. Além disso, ainda podemos apontar os sucessivos prejuízos nas partidas do estádio Nilton Santos, os polêmicos valores da construção da Arena da Ilha, demora no acordo com patrocinadores, loja oficial com problemas judiciais… na verdade, são vários os fatores que podemos apresentar para refutar o argumento utilizado pelo grupo em nota. O resultado final, está no 1 bilhão em dívidas acumulado pelo clube.

Confira a nota:

“Nota de esclarecimento MB

Mal foram apurados os votos das eleições presidenciais do Botafogo, quando deveríamos estar em busca de soluções e alternativas para os problemas que afligem o Botafogo, somos atingidos por novas e más notícias relacionadas ao nosso futebol.

Não bastasse o impacto sobre uma já debilitada situação, infelizmente vemos que alguns botafoguenses (poucos, esperamos) ao invés de se esforçarem para a consecução do nosso objetivo comum, qual seja, manter o Clube na série A do Campeonato Brasileiro, procuram as redes sociais tentando impingir ao MAIS BOTAFOGO equívocos sobre os quais não teve nenhuma participação.

Em nome da verdade e em respeito, não só aos membros do grupo, mas, também, aos que nos apoiam ou nos apoiaram em algum momento, e principalmente, em respeito à torcida botafoguense, nos sentimos na obrigação de esclarecer a verdade dos fatos.

A gestão e responsabilidade do MAIS BOTAFOGO no futebol vai, exatamente, até o dia 5 de novembro de 2019, quando o Carlos Augusto Montenegro, coloca, como sugestão para continuar auxiliando financeiramente o Botafogo, a exoneração do Gustavo Noronha, Vice Presidente de Futebol, e a assunção o controle do futebol. Nesta ocasião o Clube estava em 14° lugar.

A partir daí, inicialmente com o Ricardo Rotenberg assumindo interinamente a VP de Futebol e, posteriormente, com a criação do Comitê Gestor do Futebol, comandado pelo Montenegro e formado por componentes não pertencentes ao MAIS BOTAFOGO, todas as decisões, boas ou não, são de responsabilidade única e exclusiva deste grupo.

O MAIS BOTAFOGO dedicou-se prioritariamente, a partir de então, a continuar tentando resolver o problema mais grave que tínhamos, que era a falta de recursos para o pagamento de salários, em virtude de penhoras.

Esta tarefa foi cumprida com brilhantismo pelo Departamento Jurídico, auxiliado pelo Departamento Financeiro, que continuaram sendo geridos por membros do MAIS BOTAFOGO, motivados apenas pelo senso de responsabilidade para com o BOTAFOGO.

Portanto é uma grande inverdade procurar atribuir ao MAIS BOTAFOGO o caos em que se transformou o nosso Departamento de Futebol.

Hoje chegamos a um ponto em que não sabemos quem é responsável pelo que, uma vez que fomos informados, às vésperas das eleições, mais uma vez pelas redes sociais, que o Comitê Gestor teria sido dissolvido. Não houve nenhuma notícia formal do Clube confirmando essa dissolução, e muito menos informando quem estaria tomando as decisões do futebol, dentre as quais a demissão de um técnico e a contratação de outro.

Após todo este ano de silêncio e omissão, não é crível crer que seja o Presidente Nelson Mufarrej.

De uma coisa temos certeza: desde 5 de novembro de 2019 não é o MAIS BOTAFOGO o responsável por qualquer ato relacionado ao futebol.

Entre 2015 e 2019 tivemos muitos acertos, mas também erramos, e sempre soubemos reconhecer nossos erros e nos empenhamos em buscar formas de corrigi-los. Porém nunca fomos omissos e, mais importante, nunca procuramos nos esconder ou fugir de nossas responsabilidades.

Queremos olhar e caminhar para frente, sempre defendendo os interesses do Botafogo, sem nenhuma postura pré concebida contrária aos futuros dirigentes ou àqueles que, como nós, não foram vitoriosos nas eleições. Faremos isso carregando conosco nossos erros e nossos acertos, mas, sob nenhuma hipótese, aceitaremos carregar erros ou acertos que não nos pertençam.

Categories: Notícias