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Ele não desiste. Quatro anos após anunciar sua aposentadoria do futebol, já com 44 anos, Túlio Maravilha confirma: está de volta às quatro linhas para jogar profissionalmente. E o desafio de agora talvez seja o maior de todos, atuando pelo candidato a estreante Atlético Carioca, time que pretende jogar a quarta divisão do Estadual do Rio. O clube de São Gonçalo já tinha anunciado o acerto com o jogador há duas semanas, mas apenas agora o artilheiro falou sobre o assunto. E mostrou estar com a mesma animação e empolgação dos seus velhos tempos de goleador, as bem sucedidas décadas de 80, 90 e 2000.

Estreante em 1988, com a camisa do Goiás, Túlio rodou por mais de 20 times, fazendo história no Rio pelo Botafogo, onde foi artilheiro do Campeonato Brasileiro, além de conquistá-lo. Atuou ainda por Volta Redonda e Bonsucesso. Único jogador a ser goleador de três divisões diferentes no futebol nacional, viveu o último ato de sua carreira foi em 9 de março de 2014, no Araxá (MG), pouco depois de alcançar a tão alardeada marca pessoal dos “mil gols”. Desde então, o craque dividiu-se entre palestras motivacionais, participações em programas esportivos de TV e até em um reality show. Mas o chamado do futebol foi mais alto, mesmo após tanto tempo parado. O faro de gol, ele mesmo atesta, permanece o mesmo.

– O Atlético Carioca vai ter a honra de ter em seu elenco o maior artilheiro em atividade no mundo. Não esqueçam: no mundo. Messi fez 600 gols agora, Cristiano Ronaldo tem 650… E eu tenho mil! – afirma o irreverente Túlio, com exclusividade ao FutRio.net.

Contestações à parte sobre os critérios para a contagem de seus gols, Túlio não está equivocado. Levando-se em conta as vezes em que balançou as redes apenas por equipes principais (661), o artilheiro ainda é realmente capaz de superar os fantásticos Cristiano Ronaldo (638) e Lionel Messi (602). A longevidade na carreira ajuda a manter estes números em alta, mas a confirmação da retomada deste recorde vai depender de sua estreia, ainda sem data para acontecer. Clube e jogador vão conversar nos próximos dias para definir quando o “Maravilha” estará em São Gonçalo para começar os treinamentos. A Série C do Carioca começa em junho.

De 2014 para cá, é bem verdade, Túlio já teve pelo menos duas oportunidades de voltar. Foi anunciado pelo Força Jovem Aquidabã (MS) e, mais tarde, pelo Taboão da Serra (SP), mas nunca chegou a fazer sua primeira partida por nenhuma equipe. Agora, ele credita à paixão do presidente do Atlético, Maicon Vilela, a confiança de que tudo dará certo. Além disso, exaltou as coincidências que envolvem o clube caçula e o Botafogo, mostrou-se pronto para ajudar os mais jovens, falou em estar disposto a quebrar recordes e revelou que irá, num fato raro em sua carreira, abrir mão da histórica camisa 7 em seu novo clube.

Confira abaixo a entrevista exclusiva de Túlio, ao FutRio.net:

Como surgiu o convite do Atlético Carioca?
– Primeiro, o convite foi feito pelo Maicon (Vilela, presidente), que é um botafoguense apaixonado, um jovem presidente. Inclusive, ele se tornou botafoguense por causa daquele título brasileiro de 1995, aquela geração vitoriosa. A ideia veio de um projeto dele e, ao mesmo tempo, de um sonho de ver o seu grande ídolo jogando pelo time dele. Eu sou movido a desafios, gosto de me superar a cada ano e me vejo em plena forma física e psicológica para voltar. Vou muito feliz em poder contribuir, principalmente, com a garotada do time.

De que forma foi possível se motivar a voltar depois de tanto tempo parado?
– O que realmente me motivou foi este projeto do Atlético Carioca. Pelas cores alvinegras, as mesmas do Botafogo, isso já me atraiu. Depois porque o número que eu vou usar é um número mágico. Em vez da mística camisa 7, vai ser o número 95, uma alusão ao último título brasileiro do Botafogo. São ações de marketing como essas que nós iremos fazer ao longo do campeonato, antes mesmo dele começar também. Vai haver a minha presença do clube, São Gonçalo é uma cidade encostada no Rio, onde tem muitos botafoguenses. Isso tudo me motivou a topar mais esse desafio na minha carreira. Até a minha estreia, acho que já vou estar fazendo 49 anos e este é mais um motivo: quebrar barreiras e preconceitos.

Nos últimos anos, você esteve perto de defender outros clubes, negociou, acertou, mas não chegou a jogar. O que te leva a acreditar que, desta vez, vai dar certo?
– Foram dois meses de amadurecimento da conversa, de ambas as partes. Desde o ano passado, esse projeto já existia. Eu senti realmente uma grande vontade, uma gana do clube querer minha contratação, ter uma chegada de impacto que pudesse dar visibilidade ao campeonato. Acho que minha chegada vai ser fundamental para isso, para atrair novos patrocinadores. Acredito que, desta vez, não tem como dar errado. No Taboão da Serra, realmente houve problemas de patrocinadores na “hora H” e eu não pude estrear. Mas, por ele (Maicon) ser botafoguense, tem essa prioridade. Tenho certeza de que não vai dar nada errado e eu vou estrear em junho pelo Atlético Carioca.

A partir do momento em que estrear, você vai se tornar o jogador mais velho da história do futebol carioca. Como se sente com isso?
– Não só pelo aspecto da idade, ser o jogador mais velho, mas outro ainda mais importante. O Atlético vai ter a honra de ter em seu elenco o maior artilheiro em atividade no mundo. Não esqueçam: no mundo. Messi fez 600 gols agora, Cristiano Ronaldo tem 650… E eu tenho mil! Muita gente passa desapercebido por isso, dizendo que “é pelas minhas contas”, mas não interessa: é o maior artilheiro em atividade no mundo. Este título, o futebol carioca vai ter em 2018.

Você já tem uma história no futebol do Rio, por clubes grandes e pequenos. Pelo que já pôde observar nos tempos de Bonsucesso, sete anos atrás, o que espera nessa volta à realidade de equipes de menor investimento por aqui?
– A gente sabe que a estrutura é mínima, não são jogos no Maracanã, mas o que nos move é paixão do futebol, resgatar um pouco isso junto aos torcedores e dar visibilidade à quarta divisão. Já joguei a terceira de Goiás, fui campeão e artilheiro. Joguei na segunda do Espírito Santo, pelo Vilavelhense. Quando estiver chegando na hora daquele contato com os atletas mais jovens, a maioria com idade para serem meus filhos, vou poder passar toda a minha experiência de 26 anos de futebol, principalmente para os atacantes. Dar algumas dicas profissionais sobre como se deve comportar dentro e fora de campo. Vou ajudar com meu faro de gol, minha técnica, mas fora de campo também, nos conselhos a essa garotada que quer ter sucesso no futuro.

Pensa em terminar a Quartona como artilheiro?
– Pode ser. É como falei: quando se entra na chuva, é para se molhar. Quando você entra num desafio, é para ser o melhor. Independente se é o início, o meio ou o final da sua carreira. Eu me considero capaz de poder jogar, dentro das possibilidades, vai depender do calendário. Mas entro para ser o melhor. Tenho faro de gol e conto com a ajuda dessa garotada. Sozinho, não dá para fazer nada mas, juntos, podemos fazer história nesse campeonato. Quem sabe a gente não termine levantando o troféu de campeão ou até sendo artilheiro, o que era rotina durante a minha carreira.

Você é conhecido pelas frases de efeito e pelos apelidos curiosos que dá a alguns de seus gols; já há algum nome que pensa em dar ao seu primeiro gol pelo Atlético Carioca?
– Ainda não pensei, mas vou estudar a história do clube, da cidade. E, com o tempo, as frases de efeito vão voltar, as promessas de gol também. A marca registrada do Túlio Maravilha sempre foi essa, da irreverência, da alegria. Logo, logo, vocês vão ver que a gente vai lançar mais uma pérola para o nosso futebol brasileiro.

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